Textos


A seguir estão alguns textos, em especial crônicas, escritas por Felipe Mello:

O dia em que eu comi pão-de-queijo com medo dos zumbis

Naquele dia, eu acordei num hotel no Rio de Janeiro. Mais precisamente, na Barra da Tijuca, perto do parque olímpico. A noite anterior tinha sido difícil por conta de um desentendimento com uma pessoa muito querida. Adormeci assistindo ao seriado Walking Dead, em que pessoas tentam sobreviver num mundo infestado por zumbis devoradores de carne. A coisa está feia no seriado. Leia mais.

À espera de um milagre

Apesar de já ter feito uma quantidade considerável de atividades físicas na manhã daquele dia, pedalando coisa de 10 quilômetros até uma reunião, decidiu transpirar mais um pouco na academia no início da noite. Parecia também estar em busca de algum tipo de redenção das complicações do dia. Nada radicalmente grave, apenas o suficiente para lhe causar um desconforto melancólico, uma quase tristeza. Leia mais.


Um brinde à beleza do mais insignificante gesto

Grandes nomes da história da humanidade entregaram sua energia transformadora, em diferentes períodos, a inúmeras causas, movimentos sociais, crenças religiosas ou à ausência delas. Essas características desenham contornos muito peculiares a cada um desses nomes. Ou seja, a uma certa distância, poder-se-ia criar um distancionamento entre eles e elas, sem a necessidade de se forçar muito a barra. Leia mais.

Mitos nossos de cada dia

Mitos são coisas que nunca aconteram, mas sempre existiram. Eles compõem uma linguagem universal, uma forma de nos comunicarmos com toda a história da humanidade que nos antecede. Podemos nos aproximar daquilo que afligia nossos antepassados por meio dos mitos, criados para dar conta das angústias, das nossas angústias tão humanas. Leia mais. 



Recursos sem fronteiras

Do alto, bem lá do alto, não existem os contornos arbitrários que aprendemos a enxergar nos livros de geografia. Suspeito, inclusive, que a idolatria à propriedade - desde um pequeno pedaço de terra, até um país todo - seja um dos pilares da longa ficha criminal de nossa espécie. Aqui por perto, e em todo canto, há gente nefasta que tenta a todo custo esculachar o coreto já tão instável das relações humanas. Leia mais.

Algumas Lembranças

Foram tantas as palavras de carinho por ocasião de meu aniversário. Centenas de manifestações. Ainda bem que os autores e autoras não foram todos à minha festa. Eu passaria vergonha pela falta de quitutes e pela incapacidade de dar a devida atenção a cada um. Aliás, nem festa houve. Não me lembro da última vez que celebrei com um evento elaborado a data de meus anos. Na verdade, houve dois aconchegantes rituais: um no meu local de trabalho e outro em casa. Poucas pessoas, muito carinho. Leia mais.



Penalidade Máxima
Eu entrei naquele estádio pelo túnel que usualmente leva os jogadores ao campo. Mas não havia jogadores. Não havia ninguém, apenas um estreito facho de luz que acertava meus olhos. Segui adiante. Subi as escadarias. Pisei no gramado. Já não via mais nenhum resquício de luz. Apenas escuridão. Senti a relva fofa sob os meus pés e segui caminhando. Uma mistura de sensações me visitou.  Pé ante pé dentro das quatro linhas, senti que avançava em direção a uma das grandes áreas, cenário retangular das emoções mais agudas do principal esporte do meu país. 
Leia mais. 

2014: o ano que não acabou
15h. Quarta-feira. Fim de expediente. Trabalhadores deixam sorridentes seus locais de trabalho, seguem até o pátio das empresas, montam em suas bicicletas e rumam para as suas casas. Pedalando pelos incontáveis quilômetros de ciclovias que cruzam os mais remotos rincões da cidade, celebram sem economizar gracejos e propagandeando os dias que se aproximam. Afinal, é a véspera de um aguardado feriado prolongado. As 30 horas de jornada regular semanal de trabalho pediam uma trégua. O ano? 2114.  O motivo do feriado? Celebração do centenário do ano que não acabou. Leia mais.


Entre muros e pontes, a ética
“Eu não estou aqui.”
Foram essas as palavras escolhidas por Mário Quintana – poeta, tradutor e jornalista brasileiro – como seu epitáfio. Se lá onde foi depositado e permanece o seu corpo ele não está, por onde andará? Talvez, impregnado nas pessoas, como neste autor, atingidas ao longo de décadas pelas suas palavras organizadas em ritmo de provocações sagazes e bem humoradas. A escolha do epitáfio pode ser uma espécie de dica daquilo que o poeta e jornalista gaúcho pretendeu com a sua vida em vida e também com o que ficaria de si após a sua morte, ou seja, a fluência, a mistura, a semeadura que escapa ao terreno fixo onde reside a matéria primária. Leia mais

O universo do palhaço, o diálogo e a compreensão na comunicação humana
Antes de tudo, especialmente antes de quaisquer palavras derivadas do desafio de escrever um texto bem escrito, rendo-me a uma vontade anterior. Vontade – que está na origem da palavra voluntário (do latim voluntas) – de reconhecimento, de gratidão, de homenagem, tudo misturado no precioso lugar da co-moção, do mover-se junto. Além de considerações conectadas ao conjunto de experiências pessoais, este texto conta a história do encontro com dois personagens que, entre tantos que felizmente já cruzaram a minha ponte para trocas reciprocamente nutritivas, foram escolhidos com muito carinho para comigo compor algumas notas de reverência ao poder do diálogo e da compreensão. Leia mais.


Melhor do mundo ou mundo melhor?

Acabou a Copa. Tanto foi dito e desdito. Fatos, opiniões, versões, invenções, suposições e, em especial, teorias relacionadas a conspirações de diversas naturezas. Enfim, acabou.
Prometi a mim mesmo que não escreveria sobre futebol. Pretendo me manter o mais fiel possível à promessa. Mas pelo visto não conseguirei ignorar os sinais que circularam com o vento nas últimas semanas. Tentarei ao menos estabelecer conexões entre esse tema e outros que seguem na pauta de quem gosta de gente. Leia mais.

Falta de berço

Em um país que experimentou por grande parte de sua trajetória e, bem recentemente, por mais de duas décadas, a feiura da falta de democracia, os momentos que antecedem o voto deveriam ser sagrados. A campanha eleitoral deveria ser um ritual de celebração de uma conquista inesquecível e preciosa (infinitamente mais importante que os interesses mesquinhos de boçais bem assessorados). Deveria ser como uma romaria de propostas e ideias circulando pelas comunidades, com postulantes contando e cantando como, quando e onde fariam jus às conquistas já feitas pela sociedade, ao mesmo tempo em que mostrariam novos caminhos para avanços ainda necessários. Leia mais


Alegria no caminho

O caminho me espera. Eu quero caminhar! Mas, antes, preciso me preparar. O que eu realmente preciso levar em minha mochila? Como eu posso cuidar de mim para poder caminhar mais e melhor? Aliás, antes de tudo, por que eu quero caminhar?

Bom, primeiro porque eu sou um bípede. E bípede é o ser que caminha sobre duas pernas. Provavelmente você, que neste momento lê estas palavras, também seja um bípede. Assumindo que os leitores sejam humanos, uma vez que são bípedes e podem ler um texto, vale lembrar que a história de nossa espécie tem relação direta com o fato de caminharmos. Leia mais.

Minha escolha clown

As piruetas da minha escolha clown bagunçaram o meu coreto e me fizeram questionar o mundo pé-no-chão. Esta escolha me fez acreditar que não existe uma única resposta para cada desafio da vida, assim como me apontou o caminho da coragem de ser, do direito inalienável que me foi dado quando eu nasci de seguir em busca do meu destino a cumprir. 

Lindas piruetas para grandes desafios. Elas me deixaram e me deixam cada vez mais tonto, colocando o meu mundo de cabeça para baixo, pernas ao vento, frio no estômago. Também descobri a delícia de expandir horizontes, sonhar alto e fundar mundos. Leia mais.


À beira do trampolim​

Quantas vezes caminhamos nossos passos e, ao final de um punhado deles, chegamos à beira de um trampolim? Pular ou não pular? A dúvida é a antessala da decisão, que, por sua vez, é a força motriz das conquistas. O momento que se estabelece ao final do trampolim está visceralmente ligado aos nossos sonhos. Afinal, conquistas são sonhos presenteados com prazo final e ação empreendedora.​ Toda e qualquer hesitação frente ao horizonte exposto é respeitável. Estar diante do vazio material, do mar aberto, excita em nós instintos ancestrais, parte deles puxando para o freio cauteloso da inércia, e outra parte para a propulsão impetuosa do movimento. ​Leia mais.

Acordos despertos

Poucos, pouquíssimos momentos têm cheiro e sabor de unidade global como as festas de final de ano. À parte diferenças de crenças e calendários que não compartilham as mesmas datas e personagens, as festas natalinas e a transição de ano aproximam as pessoas, ainda que sem grandes transformações no porvir imediato.
Acordo. Acordo. Duas palavras iguais, diferentes e, novamente, iguais. Como não há acentos que as diferenciem, as duas palavras são escritas de forma idêntica. Para gastar o que acabei de pesquisar e aprender, são palavras homônimas homógrafas, pois têm a mesma grafia com sons diferentes. Leia mais.

O afeto nosso de cada dia

Como pode ser interessante conhecer o sentido original das palavras, sua ascendência e berço, relacionando-os com o nosso cotidiano! É uma experiência que me fascina cada vez mais, pela oportunidade de beber goles da fonte que transformou em código um sentimento, comportamento ou fato. A língua portuguesa tem em sua árvore genealógica o latim, predominantemente, idioma cada dia mais condenado ao ostracismo. Mesmo assim, sempre que consigo descubro as palavras latinas que deram origem àquelas que utilizamos ainda hoje. Tenho especial predileção pelas palavras que apontam sentimentos, sensações ou comportamentos, pois estas expressões humanas me espantam e excitam cada vez mais. Leia mais.

Capacidade de redimensionar obstáculos

Como venta na vida da gente. Sopros, brisas, ventinhos, ventos, tempestades. Deslocamentos de ar que tiram o ar da gente. Uma vez a minha mãe me contou uma história.
Em nossa casa de Cuiabá, onde vivi dos 9 aos 15 anos, crescia um coqueiro enraizado no gramado em frente à porta de entrada. Crescia, porque um dia parou de crescer. Gerou dentro de si algo tóxico, que atrofiou sua potência de existir, fazendo daquele gigante que atravessou a minha infância e adolescência um objeto inerte no chão. Antes de cair, entretanto, o coqueiro fez parte da história que minha mãe testemunhou. Leia mais.